Nos braços da morte
Hoje de manhã, um papo sussa com um amigo de faz tempo no MSN, nomes indo e vindo. Dentre eles o de uma garota de muitos anos atrás, quando o cara me diz que o namorado dela morreu. Nunca tive muito contato com a menina, mas sempre guardei algum carinho por ela e pela irmã. Mesmo distante, isso mexeu comigo de alguma forma e resolvi descobrir até onde o clique do meu mouse poderia me levar dentro dessa história.
A memória no profile da garota no orkut, "saudades eternas", é algo bem triste e compreensível. Não há maior agressão a uma pessoa do que tirar dela aquilo que ama. Essa saudade é cruel. Gênios da maldade tiram proveito disso em vinganças desde sempre, atacando, muitas vezes, não seus inimigos mas os entes queridos dos mesmos. Não faz muito tempo que compreendi a magnitude deste tipo de ataque.
O cara era um moleque ainda, uns 18 anos. O fato não deve ter um mês. Mais alguns cliques e vou encontrando mais pistas. Um sujeito, melhor amigo do cara talvez, fez uma comunidade "saudades". Mais de uma centena de participantes. No profile do cara outro sem-número de scraps do estilo "descanse em paz", "te amo demais" ou ainda desabafos do estilo "por que ele?" e lamentos como "sempre achamos que pessoas próximas da gente não morrem". Dá arrepio ler.
Esse tipo de coisa me pediu um pouco de reflexão. Eu, uma pessoa que vem já há algum tempo cultivando o sonho de se tornar um dia um velho sábio, forte, realizado e respeitado, como Gandalf ou Dumbledore. Não rezo. Ou quase não. Quando o faço peço paz, não só para mim mesmo, mas para todos os que amo e todos os que me amam, suscessivamente assim, até 6 graus de distância, para que não haja tristeza ao meu redor.
Nem sei porque escrevo essas coisas agora. Meu medo, não da morte por si só, mas de não me tornar imortal, ressoa agora. A certeza da morte será sempre a grande angústia da nossa espécie.







the devil is in the details